A influência deixou de ser aposta e virou peça central do plano de marketing.
É um mercado de negócios criativos, onde quem entende de gente, entende de marca.
Não basta a audiência, é preciso gerar pertencimento. Consigo enxergar o quanto esse mercado amadureceu, quase 15 anos depois, o papo é outro: menos “blogueiragem” e muito mais negócios, de creators, marcas e pessoas construindo parcerias incríveis.
Quando um creator cultiva uma comunidade, ele constrói a confiança e a lealdade dessa rede. Pessoas engajadas compram mais: 80% dos consumidores já adquiriram algo indicado por influenciadores e defendem a marca. Quem faz parte da comunidade de marca tem 2x mais chance de recomendá-la para amigos. As marcas que investem em comunidades alcançam até 70% mais retenção de clientes no longo prazo. Hoje, a influência é mais sobre conexão humana em escala.
As marcas líderes de mercado estão migrando de ‘publis’ esporádicas para parcerias always-on, inserindo creators em todas as fases do funil, da conscientização à conversão. Não por acaso, o mercado global de influenciadores explodiu de US$ 8 bi para US$ 21 bi em cinco anos (2018–2023), e o Brasil investiu R$ 2,18 bi só em 2023. Mas esse poder vem com um novo risco: a reputação é o ativo mais valioso e mais vulnerável da economia criativa. Ser “influencer corporativo” ou “creator-embaixador” exige ética, governança e responsabilidade de marca.
Como diria Seth Godin, “as pessoas não compram produtos ou serviços, elas compram relacionamentos, histórias e magia.” A influência é sobre pessoas confiando em pessoas, não dá pra improvisar autenticidade. O Brasil desponta como um dos mercados de maior impacto, somos o 1º país do mundo com resultados de creators nas decisões de compra.
Nas aulas da Comunidade dos Marketeiros com Gabriel Arruda (FARM Rio) e Amanda Rodrigues (Kwai), vimos que as exigências aumentaram para quem quer viver de marketing de influência. Agora é sobre planejamento, estratégia e aprendizado contínuo.

Gabriel mencionou o case da Amazon: com o Programa de Afiliados e Influencers, a marca criou um dos ecossistemas mais rentáveis do mundo: US$ 7 bilhões em vendas geradas apenas por afiliados, representando 30-40% do tráfego da Amazon e um ROI médio de 4x. Outros exemplos seguem o mesmo caminho: o ZZ Influencer, do grupo Arezzo&Co, cresceu 82% em vendas mensais com influenciadoras parceiras e níveis de comissão que chegam a 18%.
O programa ADORO CÓDIGO da Farm, virou um case global de afiliação, são 31 vendedoras exclusivas, que geram R$ 150 milhões por ano, com crescimento de 20% e 80% das vendas digitais por códigos e nas comunidades. 2025 é o ano dos afiliados, Mercado Livre, Magalu, MAC, Natura, todas essas gigantes estão apostando nisso. É a versão moderna das revendedoras da Avon, os links de afiliado viraram fonte de renda (extra ou principal) para milhares de criadores.
“As vendedoras digitais da FARM não são apenas promotoras, são embaixadoras da cultura da marca.” Como dizia Steve Jobs, “aproxime-se tanto dos seus clientes que você consiga dizer o que eles precisam antes mesmo que percebam.” É exatamente o que essas marcas estão fazendo: antecipando desejos por meio de dados, comunidade e cultura.
Já Amanda, do Kwai, trouxe uma perspectiva complementar: o conteúdo descentralizado, com mini-novelas e social commerce, vem transformando o comportamento de consumo. O Kwai distribui sua relevância, criando microecossistemas de criadores locais que monetizam dentro da própria plataforma.

Ela afirma que o “branding é sobre dar voz a comunidades e criar espaços de pertencimento”. No Kwai, o papel do marketing é construir pontes entre criadores, territórios e marcas, deslocando o eixo de influência das audiências massivas para comunidades locais de alto engajamento.
Esse é o ponto de virada: de creator economy para community economy. E faz parte de um movimento global de relocalização do digital: valorizar sotaques, dialetos e identidades fora do eixo Rio–São Paulo, reconhecendo o poder da diversidade cultural e regional como ativo de marca.
– Audiência: consome conteúdo.
– Comunidade: troca, se reconhece e se compromete.
Como mostrou o estudo da Opinion Box, 75% das pessoas dizem confiar mais em produtos recomendados por criadores com os quais se identificam. É aqui que branding e influência se encontram, não como campanhas, mas como gestão de comunidade.
As marcas precisam aprender a operar como plataformas e creators como negócios, com clareza e mensuração de esforços.
É o fim da era do improviso: “Nada será como antes. E por isso, a gente precisa aprender o tempo todo.” disse Rafa Lotto no evento da YOUPIX que acabou de acontecer.
A Creator Economy virou disciplina de negócios e quem ainda trata influência como entretenimento, não percebe que já estamos falando de gestão de marca e performance. No marketing do futuro, reputação é o algoritmo mais poderoso que existe.
Fontes e Leituras recomendadas:
YOUPIX – BrandLovers & Vem Aí 2025
Panorama sobre a maturidade da Creator Economy e o papel estratégico dos Power Creators.
Opinion Box – Influenciadores Digitais 2025
Dados sobre confiança, consumo e ROI de campanhas com creators.
The Power of Influence – Monks & Floatvibes (2024)
Estudo sobre a transição do engajamento superficial para comunidades com propósito.